Exposição revela beleza da caligrafia árabe

[19/06/2007]
Artista de origem libanesa radicado em Curitiba, no Paraná, Moafak Helaihel divulga no Brasil os diversos estilos da escrita decorativa árabe, uma das expressões mais características da cultura dos povos do Oriente Médio e Norte da África. Entre 21 e 29 deste mês ele faz uma exposição no Centro Cultural Árabe-Sírio, em São Paulo.

Curitiba - Entre os dias 21 e 29 deste mês o calígrafo libanês Moafak Helaihel realiza exposição de caligrafia árabe no Centro Cultural Árabe-Sírio, em São Paulo. A mostra terá 20 quadros representando versículos do Alcorão – o livro sagrado dos muçulmanos – pintados de acordo com os mais significativos estilos de escrita decorativa árabe. O Centro Cultural Árabe-Sírio fica na rua Augusta, número 1.053.

Em setembro deste ano, Helaihel pretende realizar a exposição em Curitiba, onde mora e tem seu ateliê. Ele está organizando, no momento, um curso sobre cultura árabe na Universidade Federal do Paraná. Ministrado pelo Centro de Línguas da instituição, o curso tem início programado para 15 de agosto, devendo durar até o final do ano letivo. Mais informações podem ser obtidas no Celin, pelo e-mail direcaocelin@ufpr.br, ou pelos telefones (41) 3254-8715 e (41) 3363-3354.

A exposição é uma oportunidade de entrar em contato com uma expressão artística característica dos árabes muçulmanos. A caligrafia foi elevada à categoria de elemento decorativo por excelência nas mesquitas, uma vez que a religião islâmica proíbe a reprodução artística da figura humana. Ao longo dos séculos, à medida que o Islã se expandia, novos estilos de escrita decorativa foram sendo desenvolvidos, incorporando contribuições de povos e regiões diversas, como Egito, Iraque, Pérsia e Turquia.

O interesse pela caligrafia árabe é crescente, atesta Helaihel. Há dois anos, este imigrante, natural de Baalbek, que está há quase 30 anos no Brasil, criou uma comunidade no Orkut – página de relacionamentos na internet – sobre arte e caligrafia árabes. Hoje, são cerca de dois mil integrantes. "A caligrafia árabe não tem limite", destaca. "Começou na Arábia e foi levada ao mundo", explica, assinalando que o interesse dos brasileiros – descendentes de árabes ou não – pelo tema indica que há um campo fértil para esta arte se desenvolver no país.

Para aperfeiçoar seus conhecimentos, entre janeiro e março deste ano Helaihel fez um curso de quatro meses no Centro de Caligrafia Árabe e Artes Ornamentais dos Emirados Árabes Unidos. Na ocasião, teve oportunidade de conviver com grandes nomes da arte caligráfica árabe contemporânea, como Farouk Haddad e Hassan Jaldi.

"A caligrafia árabe é a alma da alma e o cérebro do cérebro", diz. A frase sintetiza o lugar especial que esta arte tem na cultura árabe e islâmica. Ela conquista não só pelo significado profundo contido nas palavras do Alcorão Sagrado, mas pela beleza das formas. As palmas e meias-palmas, o entrelaçamento das linhas verticais e horizontais das letras, a superposição dos pontos e o registro preciso dos sinais diacríticos da escrita árabe causam um grande impacto estético, elevando o espírito e apontando para dimensões que superam a matéria.

Helaihel explica que há seis estilos básicos de escrita caligráfica árabe: Kufi, Nesukhi, Diwani, Rukai, Farsi e Thuluthi. Cada um deles, contudo, tem um grande número de variações. Por exemplo, do Kufi – originário da cidade de Kufa, no Iraque – derivam 60 formas, conta ele. Por outro lado, na Turquia surgiu um estilo próprio, o Tughra, conhecido como "carimbo do rei", um tipo de escrita decorativa restrita, antigamente, às cortes otomanas.

De acordo com Helaihel, há um despertar dos jovens no mundo árabe e islâmico pela caligrafia. Em sua última viagem ao Oriente Médio – quando fez o curso nos Emirados – ele teve a oportunidade de constatar o surgimento de uma nova geração de calígrafos. Não apenas homens, mas mulheres também. Ele acredita, contudo, que ela não deve ficar restrita ao Oriente Médio e Norte da África. "Temos um caminho grande a percorrer; estou começando aqui, quero plantar isso no Brasil", afirma.